Artigo de Raquel Derevecki originalmente publicado em 27/05/2020 no site Sempre Família
Basta falar em crianças extraordinárias para que características como superdotada, brilhante e com desempenho acadêmico impecável venham à mente. No entanto, não é necessário apresentar alguma habilidade incrível para ter a inteligência acima da média. “Para ser um super gênio, basta que todas as áreas de seu desenvolvimento sejam bem estimuladas”, garante a especialista em neurociência Fernanda Monteiro.
Autora do livro Super Gênios, ela explica que isso é possível quando os pais incentivam os filhos dentro de um ambiente saudável e afetuoso. Isso porque, “até os 6 anos de idade a criança está em um momento decisivo para o aumento de suas estruturas e funções cerebrais, e consegue adquirir novas habilidades”, afirma Fernanda, ao citar que o cérebro do bebê, por exemplo, realiza até mil conexões por segundo. “É a fase de maior velocidade do desenvolvimento cerebral”.
Por isso, ela sugere o estímulo de cinco aspectos físicos e emocionais na educação da criança para que ela apresente melhor desempenho acadêmico, profissional e social ao longo da vida. “É um método simples conhecido como Brinc, que foi criado após anos de observação clínica e trabalhos de pesquisa”.
Com essa técnica, os pais identificam as necessidades do filho, preparam um ambiente saudável para ele e usam ferramentas importantes que aumentam suas capacidades sensoriais, motoras, cognitivas e emocionais. Afinal, “toda criança tem seu potencial de desenvolvimento garantido quando lhe oferecemos um ambiente incentivador, seguro e afetivo”, aponta a especialista, ao apresentar abaixo quais são as cinco dicas para criação de um super gênio.
1. Brincar
O primeiro pilar é a utilização de atividades lúdicas e divertidas para ensinar a criança, pois isso dá aos pequenos a chance de explorar o conhecimento de forma prazerosa e motivadora. Além disso, a autora afirma que os bebês também devem brincar de maneira livre, usando a imaginação e aproveitando, ao máximo, o que tiverem por perto. “Até os 2 anos, por exemplo, o aprendizado é feito pelos sentidos e pela área motora, então a criança explora o mesmo objeto de várias formas e resolve problemas por meio da repetição”.
Já à medida em que cresce, as aulas extracurriculares que os pais adoram – como natação, inglês, violão, balé e tantas outras – também devem se tornar uma forma de diversão para o filho, e não apenas uma obrigação para que ele se destaque entre os colegas. “Não há nada de errado em fazer essas atividades extras, mas elas devem ser um momento de aprendizagem e prazer”.
Relação afetiva
2. Relação Afetiva
Além de se divertir, a criança precisa receber carinho dentro de casa, pois esse afeto transmitido desde os primeiros momentos de vida formam a estrutura emocional que o indivíduo levará para o futuro. “E esse vínculo é ainda mais importante no cuidado com o bebê, porque é por meio do afeto que ele começa sua adaptação ao mundo, se sente seguro e aprende a controlar a ansiedade diante do desconhecido”, aponta Fernanda, ao indicar que isso influencia em todo o desenvolvimento neurológico da criança ligado ao comportamento e às suas emoções.
Interação
3. Interação
Só que, para essa relação afetiva acontecer, é necessário que exista interação familiar constante por meio de abraços, beijos e diálogo. De acordo com a especialista em neurociência, essa troca de experiências entre adultos e crianças gera estímulos cognitivos importantes para os filhos e contribui no progresso de funções como a atenção, resolução de problemas, autocontrole, obediência, organização, busca por metas e a inibição de comportamentos inadequados. “Lembrando que os pais ou cuidadores precisam servir como referência para a criança, pois ela aprende por meio da observação desse adulto”.
Neurodesenvolvimento
4. Neurodesenvolvimento
Outro fator importante para estimular a inteligência dos filhos é promover suas habilidades e competências em cada fase, pois o cérebro passa por mudanças de acordo com a idade. Por isso, é importante pesquisar atividades para as diferentes etapas da infância e perceber em quais delas a criança se destaca. “Alguns gostam mais de desenhar, outros de ler e escrever, ou ainda de correr, pular e jogar bola”, exemplifica Fernanda, ao pedir que os pais incentivem o desenvolvimento desses talentos, mas sem comprometer o estímulo às demais aptidões.
O que pode ser feito, inclusive, é aproveitar um assunto de interesse do pequeno para apresentar a ele outras formas de conhecimento. “Para uma criança que gosta muito de jogar bola, por exemplo, podemos oferecer tarefas de pintura, recorte, colagem, jogos ou livros com o tema de futebol”, incentiva. “Isso fará com que ela experimente outras habilidades, a tirará de sua zona de conforto e a ajudará a lidar com novos desafios”.
Condutas
5. Condutas
Por fim, os pequenos precisam de uma rotina organizada dentro de casa para que tenham previsibilidade do que acontecerá durante o dia e se sintam mais seguros para iniciar, sozinhos, algumas das tarefas previstas. “Isso ajudará no desenvolvimento de sua independência e autonomia”, afirma Fernanda, que também aponta a necessidade de impor regras para que a criança desenvolva a resiliência. “Afinal, ela precisa aprender a lidar com a frustração diante dos limites colocados, que são benéficos para seu desenvolvimento pleno”.
Leia o artigo original em: https://www.semprefamilia.com.br/educacao-dos-filhos/dicas-para-estimular-desenvolvimento-intelectual-do-filho/
Copyright © 2020, Gazeta do Povo. Todos os direitos reservados.

Bom dia!!!
Prezada Dra. Fernanda!
Sou acadêmico em Pedagogia, ainda não tenho livro ou trabalho autoral publicado, mas gostaria de agradecer a oportunidade e parabenizá-la, pelo belo trabalho para nossas crianças no conteúdo (in loco) que acabei de ler e estudar, que será motivo de prova presencial amanhã. Gostaria, quando possível deixar uma reflexão, nesse momento tão importante que estamos atravessando, diante de tantos desafios em todos os setores da nossa vivência, onde nossas demandas são cada vez mais desafiadoras.
Cordialmente.
Abraço.
Ayrton C. R. Inchausti
Estudante Pedagogia
Polo de Camaquã/RS